A história de Emma Dyer, britânica de 40 anos, acendeu um alerta sobre os perigos das canetas emagrecedoras compradas pela internet. Após adquirir injeções sem consulta médica adequada, ela sofreu efeitos severos, desmaiou no banheiro de casa e chegou a vomitar sangue. Além disso, o episódio reabriu o debate sobre regulação sanitária, venda ilegal de medicamentos e riscos para pessoas com histórico de transtornos alimentares.
Emma afirma que não passou por avaliação clínica, não teve identidade verificada e conseguiu mentir sobre seu Índice de Massa Corporal (IMC) para concluir a compra. Dessa forma, o acesso ao medicamento ocorreu com extrema facilidade.
Compra sem barreiras médicas
Segundo Emma, o processo de compra foi simples e rápido. O site solicitou apenas o IMC, sem exigir comprovação ou histórico médico. Portanto, nenhuma triagem foi realizada antes do envio das injeções.
Veja os pontos críticos do processo:
| Etapa | O que ocorreu |
|---|---|
| Consulta médica | Não realizada |
| Verificação de identidade | Não exigida |
| Avaliação de histórico clínico | Ignorada |
| Checagem de IMC | Informação autodeclarada |
Consequentemente, o medicamento foi entregue sem qualquer supervisão profissional.
Emma pagou £115 (cerca de R$ 800) acreditando estar adquirindo Saxenda, medicamento à base de liraglutida, substância que pode levar à perda de até 8% do peso corporal.
O início dos sintomas e o desmaio
Quando as injeções chegaram, as instruções estavam mal impressas. Além disso, Emma não sabia que deveria iniciar com dose baixa. Assim, aplicou uma dose média logo no primeiro uso.
No primeiro dia, relatou ausência de apetite. Entretanto, no segundo dia, os efeitos colaterais se intensificaram drasticamente.
Ela descreve que:
- Desmaiou no chão do banheiro
- Não conseguia falar ou abrir os olhos
- Teve alucinações
- Vomitou sangue
Embora estivesse consciente em alguns momentos, ela acreditou que poderia morrer.
Veja os sintomas relatados:
| Sintoma | Intensidade |
|---|---|
| Desmaio | Grave |
| Vômito com sangue | Grave |
| Alucinações | Severa |
| Imobilidade temporária | Crítica |
Portanto, o quadro exigiria atendimento médico imediato, embora ela tenha optado por enfrentar a situação sozinha por vergonha.
Contexto emocional e recaída
Emma possui histórico de anorexia e bulimia, mas afirmou que havia atingido peso saudável e estabilidade emocional. No entanto, um comentário sobre sua aparência desencadeou uma recaída.
Além disso, ela buscava aceitação social e autoestima. Assim, digitou “injeções para emagrecer” em uma busca online, impulsionada por desejo de perder peso rapidamente.
Esse contexto revela como vulnerabilidades emocionais podem ser exploradas por mercados pouco regulados.
Crescimento do uso de canetas emagrecedoras
Dados da University College London indicam que cerca de 1,6 milhão de adultos no Reino Unido utilizaram injeções para emagrecer no último ano.
Alguns medicamentos, como Ozempic e Mounjaro, são disponibilizados pelo sistema público de saúde britânico (NHS) em casos específicos. Entretanto, a maioria das pessoas compra os produtos de forma privada.
Veja os dados gerais:
| Informação | Número estimado |
|---|---|
| Adultos que usaram injeções | 1,6 milhão |
| Crescimento de encaminhamentos por transtornos alimentares | +57% |
| Encaminhamentos em 2024/25 | 1.339 |
| Ano anterior | 852 |
Consequentemente, especialistas apontam aumento significativo na demanda por suporte psicológico.
Como funcionam esses medicamentos
As canetas atuam como supressores de apetite, imitando o hormônio GLP-1, responsável pela sensação de saciedade.
Além disso, esses medicamentos são considerados eficazes quando usados com acompanhamento clínico. Entretanto, podem causar efeitos adversos graves.
Entre os riscos estão:
- Náuseas intensas
- Vômitos persistentes
- Desidratação
- Problemas gastrointestinais
- Ganho de peso após interrupção
Portanto, o uso deve ocorrer sob prescrição e acompanhamento profissional.
Preocupação das autoridades de saúde
A diretora médica nacional do NHS, Claire Fuller, afirmou que a organização está preocupada com vendedores não verificados e promoções sem supervisão clínica.
Além disso, ela destacou que medicamentos para perda de peso são potentes e podem provocar efeitos colaterais severos.
No Brasil, a Anvisa também permite a venda apenas com receita médica. Entretanto, autoridades alertam sobre comercialização irregular pela internet e produtos vindos ilegalmente do Paraguai.
Impacto nos transtornos alimentares
Organizações que atendem pacientes com transtornos alimentares relatam aumento expressivo de casos. Segundo Daniel Magson, CEO da instituição First Steps ED, muitos usuários não recebem apoio adequado.
Além disso, ideais corporais reforçados por redes sociais intensificam recaídas em pessoas que estavam estáveis há anos.
Veja o impacto observado:
| Indicador | Crescimento |
|---|---|
| Encaminhamentos totais | +57% |
| Casos ligados a uso de injeções | Alta significativa |
| Necessidade de treinamento profissional | Em expansão |
Consequentemente, serviços de apoio enfrentam sobrecarga.
Riscos de comprar de fontes não confiáveis
A farmacêutica Grace Pickering, da Well Pharmacy, alerta que medicamentos adquiridos sem controle podem não ser autênticos.
Além disso, farmácias regulamentadas seguem protocolos que incluem:
- Consulta presencial inicial
- Avaliação de IMC
- Análise de histórico médico
- Acompanhamento mensal
Entretanto, vendedores online frequentemente ignoram esses critérios.
Portanto, o risco envolve não apenas efeitos colaterais, mas também falsificação de produtos.
A importância da supervisão contínua
Especialistas reforçam que o tratamento para perda de peso deve incluir:
- Orientação nutricional
- Apoio comportamental
- Monitoramento clínico
- Avaliação psicológica
Além disso, o acompanhamento deve ocorrer antes, durante e depois do uso.
Emma afirma que seu maior erro foi acreditar que poderia lidar sozinha com o processo.
Reflexões sobre regulação e responsabilidade
O caso evidencia falhas na fiscalização digital. Embora existam normas para prescrição, a internet permite brechas significativas.
Consequentemente, especialistas defendem exigência de verificação médica obrigatória, comprovação documental e maior controle sobre anúncios online.
Enquanto isso, pacientes vulneráveis continuam expostos a riscos.
A experiência de Emma Dyer serve como alerta contundente sobre os perigos da automedicação e da compra de medicamentos sem supervisão. À medida que o uso das canetas emagrecedoras cresce globalmente, cresce também a necessidade de regulamentação rigorosa, acompanhamento clínico estruturado e conscientização pública sobre riscos físicos e psicológicos associados ao uso indiscriminado desses fármacos.
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